20.3.06

A página do relâmpago

Tiro e queda praqueles dias, não raros, em que precisamos realmente crer que é possível o amor entre as pessoas, um mundo melhor, a preservação das tartarugas marinhas, a redenção da carne, vida eterna, amém coisa e tal. Disco lindo da preula.

15.3.06

A.I. é aqui

Quando eu assisti ao filme de Kubrick/Spielberg A.I., a parte de que mais gostei foi o final, em que os ETs esbeltos, ou seriam robôs, sei lá, iam encontrar o Pinóquio nas profundezas do oceano. Quando esses seres extraordinários lá chegam, começam a conversar entre si. Só que essa conversa não era bem uma conversa, nesses nossos moldes mundanos. Era uma coisa linda, assim, bem bonita e quântica. Eles, simplesmente, cheios de classe, estendiam o braço sobre a cabeça do seu semelhante e pimba, comunicação estabelecida. Nenhum som carecia ser emitido, nem um olhar, nem nada. Só o braço fino, longo, pairando na cabeça do outro. Coisa linda mesmo. O enigma da vida estava resolvido. Wittgenstein, Habermas, sinto muito, mas de nada mais adiantavam vossas especulações.

Bom. Negócio é o seguinte. A.I. é aqui.

Pesquisadores exibem máquina que lê e traduz pensamentos na CeBIT

13/03/2006 – 16h45InfoMoney

SÃO PAULO - Cientistas do Instituto Fraunhofer e neurologistas do Charite Hospital de Berlim, juntos, anunciaram na CeBIT, feira de tecnologia que acontece em Hanover, Alemanha, um leitor de mentes.

Pode parecer impossível, mas o grupo de cientistas conseguiu desenvolver um sistema que recebe sinais do cérebro e os interpreta, de acordo com uma base de dados, traduzindo-os em imagens e palavras.

Enquanto especialistas em neurologia forneceram o conhecimento fisiológico sobre o órgão, acerca dos estímulos e reações em cada parte do cérebro, os especialistas de computação transformaram os dados em números e códigos.

Assim, através de uma espécie de touca de natação de couro, ligada a diversos fios, são transmitidos sinais elétricos do cérebro para o computador, que os reconhece e interpreta, transformando-os em comandos.

Na prática, a máquina pode entender o que uma pessoa pensa. Na apresentação na CeBIT, neste final de semana, dois homens foram usados. Sem que nenhum dos dois sequer se mexesse, imagens, palavras e até mesmo frases inteiras se formaram na tela dos computadores.

Por enquanto, a experiência ainda consome bastante tempo, levando vários minutos para formar uma sentença, porém já significa um grande avanço. A idéia é utilizar a nova tecnologia em pessoas que sofrem de paralisias corporais mesmo estando com o cérebro perfeitamente intacto, devolvendo-lhes a capacidade de se comunicar.

Há planos de trabalhar no sentido de descobrir uma forma de utilizar o sistema para ajudar pacientes mutilados a controlarem próteses apenas com a mente, como fariam com um membro natural.

A máquina ainda não deverá chegar ao mercado. Seus criadores ainda planejam dedicar entre dois a quatro anos para mais estudos em torno do projeto, o que inclui pesquisas e testes de aplicações em pacientes.

14.3.06

Ed


Todo mundo fala mal dele. Mas aí, totalmente por acaso, vejo um disco dele por módicos R$ 4,99. Poxa, fazia uns 59 anos que não via um disco comprável por esse preço. Comprei-o-o.

Não é que o disco é legal? E ainda combina com meu blog!

Se arruma, aqui que tá bom
Aqui tá de-ee-ez
Se arruma, tem espaço na van
Tem espaço na vannnn!

E eu nem me importo com a já incorporada ao nosso idioma brasileiro falta de uniformidade no uso de pronomes pessoais em uma mesma frase, i.e. tu e você são tudo a mesma coisa, pra que ser tão meticuloso com isso, oras. Tem espaço na van pra todos.

8.3.06

Marinas

Para compensar um final de semana de carnaval super animado, só mesmo outro de muita, mas muita caretice. You can't always get what you want, já disse o filósofo.

Eis que eu, mal me recuperava da ressaca, fui passar dois dias fazendo prova de concurso público, em que nada menos que 640 candidatos disputam uma vaga. Isso foi lá em um colégio privado em Boa Viagem.

Já estava na última etapa, na tarde do domingo, completamente estafada, quando decidi que era hora de esticar as pernas. No banheiro, passo pelo detector de metais rotineiro (um saco) e entro em uma das cabines, em tempo de perceber uma senhora limpando a cabine em frente. Alguns instantes depois, eu lá no meu momento íntimo, a senhora começa a papear com a fiscal do concurso, que me esperava. Já que a mim não restavam outras opções disponíveis, ouvi.

- É muito dinheiro que ganha quem passa nesse concurso, né?
- É.
- Quanto? Uns 4.000?
- 8.000.
- Danousse. É, agora vejo por que tem tanta gente aqui. Por isso eu digo pra meus filhos. Eles têm que aproveitar essa chance do colégio, de estudar aqui com bolsa.
- Como é mesmo o nome deles, Lindalva?
- Henrique e Marina. (Eita, lelê, tinha que ser.)
- ...
- Ele tem 9 e ela tem 12. É por esses meninos que eu trabalho sábado, domingo, feriado, sempre que o colégio me chama, eu venho. Eles têm uma oportunidade muito boa aqui.

Queria escutar o resto, estava precisando de um pouco de vida no meu dia. Simularia uma prisão de ventre com perfeição, no maior silêncio da dor, a fiscal nem se importaria com minha demora, ficaria até com dó, tenho certeza.

Mas dá licença que eu tenho que ir ali tentar ganhar um salário de 8.000 reais. (Que eu posso ser uma bestona nos pensamentos, mas tento ser menos nas ações, ora pois.)

Volto pra sala, faço a prova compenetrada. Se bem que, depois. Ai, ai. Dona Lindalva e minha xará.

Será que eu preciso desses dígitos tanto assim?