20.5.12

Meu vizinho nunca me deixa sozinha


Meu vizinho nunca me deixa sozinha
Trancado no quarto de frente pro computador
A noite inteira
Eu ouvindo música
Lavando roupa na mão ou fazendo qualquer outra coisa que me pertence
Ele estudando e escrevendo contos
Ou mais provavelmente no facebook
Na verdade o solitário bem que pode ser ele

Queria então que ele apenas desconfiasse
Tivesse alguma noção
De como é importante pra mim que ele, ali,
Exista
E que assim todo mundo se sentisse melhor
De tal forma que até eu ficasse
Pra sempre ótima
Sozinha

7.12.11

bumming around

estou lendo o livro que patti smith escreveu sobre a relação dela com robert mapplethorpe, just kids (em português só garotos). tou bem no comecinho, mas o pouco tempo já foi suficiente pra que eu sentisse tudo que se sente quando um livro verdadeiramente conquista. a simpatia que eu já tinha por ela e que só fez crescer desde que o vinil de horses passou a habitar meu lar ficou agora ainda maior. porque ela é uma brothagem, simplesmente.

uma das passagens que me emocionou é essa que vou transcrever, na qual ela faz uma descrição sobre sua chegada a nova iorque, onde ela viveu, durante vários dias, como mendiga.

o que mais me impressiona não é o fato de ela ter mendigado (claro que isso me impressiona também, não vou mentir - considerando-se, ainda, que sou objetivamente bem impressionável), mas sim como ela vivenciou isso da maneira mais poética possível e traduziu nesse discurso aqui:

I can't say I fit in, but I felt safe. No one noticed me. I could move freely. There was a roving community of young people, sleeping in the parks, in makeshift tents, the new immigrants invading the East Village. I wasn't kin to these people, but because of the free-floating atmosphere, I could roam within it. I had faith. I sensed no danger in the city, and I never encountered any. I had nothing to offer a thief and didn't fear men on the prowl. I wasn't of interest to anyone, and that worked in my favor for the first few weeks os July when I bummed around, free to explore by day, sleeping where I could at night. I sought door wells, subway cars, even a graveyard. Startled to awake beneath the city sky or being shaken by a strange hand. Time to move along. Time to move along.

taí a melhor aula sobre dignidade humana que já tive.

e que venha a virada do roteiro. time to move along.

24.11.11

plano brilhante


Querida nuvem
gentileza
nem que seja
apenas durante
o tempo em que se acalme
mãos ao volante
em mim o alvoroço

Agora ela volta a si
tudo bem, não foi antes
de eu, ô Debussy
meu calo dissonante
ver tudo que dela já ouço

eis o plano brilhante

21.11.11

madeira


madeira colorida
mas que doideira
achar assim, meio perdida
a estribeira da vida
digo mais
melhor ainda
se for numa cristaleira!
imagem daqui.

19.11.11

caetaneei, no meu sentido

você é linda
e
eu sou neguinha?

assim questionador
o sol do sábado de hoje
deixará saudade até
a próxima semana
quem diria inclusive
dançou balé
tudo bem que foi ensaio
mas não é sempre assim que estive
ora, boa tentativa afinal a dele
de iluminar mais sabaticamente
pra poder fazer jus àquele
nome que ele tem.

parabéns
não sei pra quem
mas é isso que sai agora
não é pra se ir embora sem ir além
por isso vai-te
seja lá o que fores,
toma aí essas flores,
compradas hoje em casa amarela,

boa sorte, pra ti
e pra elas.